domingo, 2 de outubro de 2011
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Todos os dias necessito minha ração de dúvida. Me alimenta, literalmente.Nunca houve um ceticismo mais orgânico. E, sem dúvida, todas as minhas
reações são as de um histérico. Dá-me dúvidas e mais dúvidas.
São - mais que meu alimento - minha droga. Não posso prescindir delas.
Estou intoxicado com elas para toda a vida. De modo que quando encontro
uma, a que seja, me precipito sobre ela, a devoro, a incorporo na minha
substância. Pois minha capacidade para assimilá-las - as dúvidas -
é ilimitada; as digiro todas, são minha substância e minha razão de ser.
Não posso imaginar-me sem elas. Dá-me dúvidas, mais e mais dúvidas.(Emil Cioran)
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Quando tornar a vir a primavera
Talvez já não me encontre no mundo.
Gostava agora de julgar
Que a primavera é gente
Para poder supor que ela choraria,
Vendo que perdera seu único amigo.
Mas a primavera nem sequer é uma coisa:
É uma maneira de dizer.
Nem mesmo as flores tornam,
Ou as folhas verdes.
Há outros dias suaves.
Nada torna, nada se repete,
Porque tudo é real. (Alberto Caeiro)
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Seis ou treze coisas que aprendi sozinho12.
Seu França não presta pra nada -
Só pra tocar violão.
De beber água no chapéu as formigas já sabem quem ele é.
Não presta pra nada.
Mesmo que dizer:
- Povo que gosta de resto de sopa é mosca.
Disse que precisa de não ser ninguém toda vida.
De ser o nada desenvolvido.
E disse que o artista tem origem nesse ato suicida.(Manoel de Barros)
Nietzsche dizia amar somente os livros que haviam sido escritos com sangue.Livros escritos com sangue são aqueles em que as
palavras são apenas a carne de ideias nascidas do corpo.
A diferença entre os livros escritos com sangue
e outros escritos com conceitos é que os primeiros
mexem com o corpo e a alma e os outros,
mexem só com a cabeça, o corpo fica do jeito que sempre foi. (Rubem Alves)
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Imagem - Candido Portinari(Casamento na roça)
A família Lyra,
que o poeta admira,
é encantadora.
Faz música fina,
quitanda divina.
Faz arte e reparte
com engenho e arte.
Carlos tange a lyra
e é também astrólogo.
Retifica os signos,
esclarece dúvidas.
Eu, Escorpião?
Sempre sofri muito
por estar jungido
a essa danação
do bichinho mau.
Carlos me socorre,
me passa pra Libra.
Obrigado, amigo!
Obrigado, Kate,
Que em lugar de broa
faz um doce cake,
gulodices mil,
qual mais requintada,
múltiplos sabores,
inefáveis gozos
de gula celeste.
Obrigado, Carlos,
Obrigado, Kate!
À família Lyra
todo o meu carinho.
Carlos, de Itabira.(Carlos Drummond De Andrade)
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Verbalismo.

Seja mais e evite a mitomania.
Com cores e imagens cole os pedaços,
Seja o endossador das próprias loucuras!
Saia do claro escuro que assombra os pensamentos,
Das palavras soltas que invadem a sala faça uma música.
Deixe de parangolé!
Conte seus mistérios,
Se sério for, guardo segredo.
Deixe de lufar.
Acredite!
Largue os parâmetros,
Esqueça as estatísticas...
Traduza o pensamento,
Chore se quiser, se ajudar... Grite!
Não dissimule a situação,
Apenas faça-me um arpejo e tome um capilé.
(Fernanda Mendes)
quinta-feira, 21 de julho de 2011

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É com grande pesar que venho informar para todos os leitores do Devaneio, que eu, Breisi,criadora e organizadora do devaneio, perdi minha conta no google. Conta esta que dava acesso ao devaneio. Já tentei recuperar a conta e preenchi um formulário, mas a resposta que recebi do google foi negativa, e fiquei assim, sem blog, sem devaneio.
Agora quem pode postar no devaneio é o Menino Verde e a Fernanda Mendes(esta muito atarefada, por isso não postou nada ainda).
OBS: O layout do blog e toda a sua estrutura, eram organizados por mim. Agora como estou sem acesso, o blog ficará deste jeito por tempos infinitos.
Outra coisa, como os outros membros do blog eram apenas escritores, eles não podem me convidar para fazer parte novamente no blog, e das postagens.
Mas logo logo, divulgarei outro canto meu, um outro espaço onde eu possa expressar a arte de alguma maneira que ela seja vista.
Agradeço a compreensão de todos.
Atenciosamente
@bere_atomica - 19 de julho de 2011 14:22
terça-feira, 19 de julho de 2011
Imagem - Andrew Atroshenko
Que eu não perca a capacidade de amar, de ver, de sentir. Que eucontinue alerta. Que, se necessário, eu possa ter novamente o impulso
do vôo no momento exato. Que eu não me perca, que eu não me fira,
que não me firam, que eu não fira ninguém. Livra-me dos poços e dos
becos de mim, Senhor. Que meus olhos saibam continuar se alargando
sempre.(Caio Fernando Abreu)
A página branca aumenta a coisa
Ou ainda diminui o mínimo?
O poema é o texto? O poeta?
O poema é o texto + o poeta?
O poema é o poeta – o texto?
O texto é o contexto do poeta
Ou o poeta é o contexto do texto?
O texto visível é o texto total
O antetexto o antitexto
Ou as ruínas do texto?
O texto abole
Cria
Ou restaura?(Murilo Mendes)







